tens razão minha amiga, como puderam mudar as coisas desta forma? Como perdeste a vontade de vir para casa? A tua segunda casa, a nossa casa… Ai a nossa casa… Saudades da nossa casa. Saudades de ver-te a chegar de fim-de-semana e ficar horas as falar contigo, mesmo quando tinha que fazer um trabalho para o dia seguinte que nem lhe tinha tocado antes. Saudades da tua massa com atum. Saudade do acorda Nicky, tá na hora. Saudades das nossas cantorias de voz bem alta. Saudades do Mraz. Saudades dos raios de sol a entrar pela janela daquele quarto, hmm delicioso. Saudades da cozinha cheia de loiça para lavar depois de uma noite de jantarada. Saudades do Pitanga. Saudades da tua varanda. Saudades da net do vizinho Manuel Fernandes. Saudades da casa cheia, gente a sair gente a entrar. Saudades do Cantinho da Alice. Saudades do Cantinho do Chill Out. Saudades de adormecer às seis da manhã com o sol a nascer. Saudades do sorriso do Artur. Saudades do som da guitarra da casa do vizinho. Saudades da pausa do estudo para ver as estrelas. Saudades do ouriço caixeiro que parecia um rato e depois um coelho. Saudades da noite da pizza. Saudades do jogo depois da pizza, em que todos, conhecidos e desconhecidos, revelaram segredos fantásticos. Saudades dos gritos de prazer. Saudades das noites de amor. Saudades da primeira vez, das primeiras vezes. Saudades dos dias seguintes. Saudades da Alice. Saudades da Vânia e do seu cantinho luminoso e sonhador. Saudades de dormir no Cantinho da Alice. Saudades das sessões de cinema. Saudades das noitadas de borracheira. Saudades das ressacas passadas a ver televisão. Saudades da FoxLife. Saudades do sofá da Raquel. Saudades do my precious. Saudade das nossas brincadeiras. Saudades da mendiga. Saudades das conversas noite dentro. Saudades de tocar jambé (todos tocávamos jambé). Saudades dos caloiros ambientais. Saudades da noite de Carnaval.
Na verdade, foi pouco depois dessa noite que tudo começou. Que as coisas verdadeiramente boas começaram a acontecer. O parque. A Alice. O livre, o leve e o fácil. Nós os três. E depois nós os seis. Eu e ele. As meninas ambientais. Os electrões. E cada vez mais e mais amigos. No fundo, éramos uma grande família de vários tamanhos, cores e estilos. Todos diferentes, mas todos iguais. Juntos, criámos a harmonia daquela casa. Juntos, demos vida àquela casa.
(Que infelizmente foi depois destruída pela espanhola que nunca percebeu o quão especial era aquela casa nem o quão especial ela havia deixado de ser para mim.)
Cresci naqueles bons tempos. Cresci contigo, com eles, com tudo e todos. Cresci e vivi como nunca havia vivido - na mais pura essência de mim. Conheci-me verdadeiramente. E sei que tu também. Sinto-me como tu minha linda.
Sei que sentes falta. Também eu. Sei que queres voltar a sentir-te daquela forma. Também eu. Mas em vez de sentir falta ou vontade de voltar a sentir da forma de sentíamos. Em vez de olhar para atrás, vamos olhar em frente. Guardar aqueles momentos mágicos numa caixinha. Numa caixinha mágica. Dar-lhe um nome, até. Deixar os maus cá fora e só guardar os bons. Fechá-la bem, só abrindo-a de vez em quando. E com as coisas boas que nos rodeiam hoje, fazer com seja ainda mais grandioso do que foi. Porque se conseguimos construir algo tão bonito uma vez, conseguimos uma segunda, uma terceira, quantas forem precisas. Não importa quantas pessoas são, mas a essência de cada uma.
Fazes parte da minha mão cheia minha Amiga. E podes sempre contar comigo, por mais tempo que passemos afastadas. Adorei conhecer-te e vou continuar a adorar que faças parte de mim, do meu eu, daquilo que sou. És a minha mana. És-me essencial. Adoro-te. Adoro-nos.